terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Bruxaria

 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



A palavra bruxaria, segundo o uso corrente da língua portuguesa, designa a execução de rituais de cunho sobrenatural com a intenção de obter benefícios pessoais, sendo também utilizada como sinônimo de cura espiritual, prática oracular e feitiçaria. Tal definição, entretanto, além de não retratar com fidedignidade mínima a bruxaria de fato (não fictícia), torna indistintas as práticas dos verdadeiros bruxos de muitas das práticas da maioria das outras expressões de religiosidade. Note-se, por exemplo, que uma prece autenticamente cristã é um ritual de cunho sobrenatural (não científico) com a intenção de obter benefícios pessoais; a cura espiritual também se encontra em diversas formas de religiosidade, desde a bênção cristã até o passe espírita. Da mesma forma, as práticas oraculares se encontram presentes até mesmo em religiões que as criticam duramente, como podemos constatar pela presença do capítulo do apocalipse na bíblia cristã. Portanto, para compreender o que é a bruxaria de fato, é necessário observar as crenças e atividades dos bruxos contemporâneos e suas referências principais.
Conforme depreendemos da leitura do fundador da wicca tradicional (bruxaria moderna), Gerald Gardner1 , em consonância com fontes das mais diversas vertentes da bruxaria moderna e tradicional 2 3 , a bruxaria é o culto à Deusa e/ou ao Deus em sistemas que variam de uma deidade única hermafrodita ou feminina à pluralidade de panteões antigos, mais notadamente os panteões celta, egípcio, assírio, greco-romano e normando (viking). Grande parte dos grupos bruxos considera, inclusive, que diversas deusas antigas são diferentes faces de uma única Deusa, mas mesmo estes grupos as apresentam de forma separada em suas ritualizações.
Acima até da conceituação das deidades, a reintegração do homem à natureza é parte fundamental das crenças vinculadas à bruxaria, o que se evidencia na celebração do fluir das estações do ano em até oito festivais chamados sabates, sendo dois nos equinócios, dois nos solstícios e quatro em datas fixas4 . Ao fluxo de um curso completo de tais eventos chama-se comumente de Roda do Ano.
Paralelamente aos sabates, a bruxaria conta com os esbates, que celebram as fases da Lua. Aqui, todavia, há grandes diferenças entre vertentes da bruxaria, com alguns grupos comemorando quatro fases da Lua e outros comemorando apenas o plenilúnio.

Tipos de Bruxaria

A confusão entre bruxaria e magia levou aos magos e aos leigos a classificarem equivocadamente os bruxos como brancos e negros, supondo que os que buscassem/praticassem o bem seriam bruxos brancos, e os que buscassem/praticassem o mal seriam bruxos negros. Os bruxos, na verdade, não se pautam pelo modelo de bem e mal, considerando toda e qualquer magia como cinza (mistura da luz com a escuridão). A grande divisão que se pode fazer em grandes grupos na bruxaria é entre a tradicional e a moderna.

Bruxaria Moderna

Bruxaria moderna é considerada pela maioria das tradições bruxas como a que surgiu com Gerald B. Gardner, sendo sinônimo de wicca, muito embora Raven Grimassi, referência mais conhecida da stregheria (bruxaria italiana), considere Charles Leland o pai da bruxaria moderna. Ainda que iniciado por bruxas tradicionais, Gardner reuniu aos conhecimentos que elas lhe teriam passado práticas ritualísticas e simbologia da Alta Magia, bem como o princípio ético formulado por Crowley ligeiramente modificado (faça o que quiser desde que a ninguém prejudique), criando assim as bases de uma nova crença.

Bruxaria Tradicional

Bruxaria Tradicional é aquela anterior à wicca e/ou o reconstrucionismo religioso de práticas pagãs ligadas a uma tradição específica. Bruxaria Tradicional é um termo cunhado por Roy Bowers (Robert Cochrane) para diferenciar as práticas de Bruxaria pré-Gardnerianas da Wicca criada por Gardner. Ao contrário do que se possa supor, os grupos de bruxaria tradicional não reconstrucionistas, vieram ao longo do tempo absorvendo conhecimentos e conceitos de diversas expressões de religiosidade e, como não se submeteram à separação entre ciência e religião, também vieram modificando sua compreensão cosmológica e suas práticas com o avanço científico.

Tradições Bruxas

Tradições bruxas são conjuntos de crenças e práticas bruxas específicas independentes, estabelecidas a partir da influência de culturas locais ou pela criação de novas linhas iniciáticas, geralmente a partir de um iniciado do mais alto grau em outra tradição. Como a bruxaria não é uma religião fundada em estrutura dogmática rígida, com o uso de tecnologias de informação modernas os grupos de bruxos (covens ou coventículos) puderam se expandir para além de fronteiras geográficas locais, o que levou a uma considerável multiplicação de tradições bruxas entre fins do século XX e início do século XXI.

Bruxaria Ancestral

Tradição bruxa que venera deuses anteriores ao período histórico, tendo entre suas crenças principais a de que o ser humano não é superior aos demais animais e que tudo no universo segue o mesmo fluxo, por eles chamado de "Dança da Deusa". Seu fundador foi iniciado e membro do Conselho de Anciãos da Tradição Ibérica, entretanto as experiências místicas pelas quais passou desde o início o levaram a desenvolver ainda dentro da Tradição Ibérica uma veneração à parte, voltada a deidades mais antigas que as lusitanas, veneradas em seu coventículo de origem. Acumulando-se divergências ideológicas e filosóficas, o cisma que deu origem à nova tradição foi natural e inevitável, com a criação da Ordem Sagrada de Bennu, sediada no Brasil.

Stregheria

Tradição bruxa natural da região onde hoje se encontra a Itália, tendo suas raízes nos cultos neolíticos à Grande Deusa naturais da região do Mediterrâneo e do Egeu e construída sobre mitos de diversos povos, dentre eles os micênicos e etruscos..5

Tradição Alexandrina

Contemporâneo de Gerald Gardner, Alex Sanders fundou a Tradição Alexandrina, bastante semelhante à wicca, porém pertencente a outra linha iniciática e mais liberal quanto à exigência de nudez ritual.

Tradição Diânica

Caracterizada pela supremacia do culto à Deusa, em relação ao culto ao Deus, a Tradição Diânica é considerada a linha feminista da bruxaria, sendo que alguns de seus grupos só admitem membros do sexo feminino.

Tradição Ibérica

Tradição bruxa que cultua antigos deuses da Península Ibérica, em especial da Lusitânia. A origem de tal linhagem se perde no tempo. Apesar de os registros mais antigos de linha inciática da Tradição Ibérica datarem de fins do século XVIII, cogita-se que por motivos de perseguição religiosa não eram tomados registros antes do início do século XX, sendo provável que tal tradição tenha sido fundada pelas bruxas de aldeia da região onde hoje é Portugal com base em práticas e conhecimentos da cultura celtíbera, anteriores à conquista romana.

Wicca Tradicional ou Tradição Gardneriana

Mãe de diversas tradições bruxas modernas, a Wicca tradicional foi fundada por Gerald Gardner em meados do século XX, a partir do sincretismo entre a bruxaria tradicional inglêsa e a alta magia ensinada na Golden Dawn. Diversos iniciados por Gardner deram origem a outras tradições, ainda assim consideradas wiccanas, motivo pelo qual passou a se chamar a bruxaria ensinada por Gardner de wicca tradicional.

Referências

  1. Ir para cima ↑ Gardner, Gerald B., A Bruxaria Hoje. Madras, São Paulo, SP, 2003 - ISBN 8573747293
  2. Ir para cima ↑ Grimassi, Raven. Bruxaria Hereditária: Segredos da Antiga Religião. Gaia - ISBN 8575550071
  3. Ir para cima ↑ Buckland, Raymond. O Livro Completo de Bruxaria do Buckland. Gaia - ISBN 8575550045
  4. Ir para cima ↑ Farrar, Janet; Farrar, Stewart. Oito Sabás para Bruxas. Anubis - ISBN 8586453064
  5. Ir para cima ↑ Grimassi, Raven. Bruxaria Hereditária: segredos da antiga religião. [S.l.]: Gaia, 2003. 30 - 31 p. ISBN 8575550071

Bruxa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.






"Macbeth and Banquo meeting the witches on the heath" ("Macbeth e Banquo reunião das bruxas no campo") de Théodore Chassériau.
Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha, nariguda e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia.
Algumas bruxas históricas adquiriram alguma notoriedade, como é o caso das chamadas Bruxas de Salem, a Bruxa de Evóra e Dame Alice Kytler (bruxa inglesa). São também bastante populares na literatura de ficção, como nos livros da popular série Harry Potter, nos livros de Marion Zimmer Bradley (autora de As Brumas de Avalon, que versam sobre uma vasta comunidade de bruxos e bruxas cuja maioria prefere evitar a magia negra, ou a trilogia sobre as bruxas Mayfair, de Anne Rice.
As bruxas foram implacavelmente caçadas durante a inquisição na Idade Média. Um dos métodos usados pelos inquisidores para identificar uma bruxa nos julgamentos do Santo Ofício consistia na comparação do peso da ré com o peso de uma Bíblia gigante. Aquelas que fossem mais leves eram consideradas bruxas, pois dizia-se que as bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural. Frequentemente as bruxas são associadas a gatos pretos, que dentre as Bruxas Tradicionais são os chamados Puckerel, muitas vezes tidos como espíritos guardiões da Arte das Bruxas, que habitam o corpo de um animal. Estes costumam ser designados na literatura como Familiares.
Diziam que as bruxas voavam em vassouras à noite e principalmente em noites de lua cheia, que faziam feitiços e transformavam as pessoas em animais e que eram más.
Hoje em dia essas antigas superstições como a da bruxa velha da vassoura na lua cheia já foram suavizadas, devido à maior tolerância entre religiões, sincretismo religioso e divulgação do paganismo. Gerald Gardner tem destaque nesse cenário como o pai da Religião Wicca- A Religião da Moderna Bruxaria Pagã, formada por pessoas que são Bruxos/as mas que utilizam a "Arte dos Sábios" ou a "Antiga Religião" mesclada a práticas e conhecimentos de outras tradições. A classificação de magia como negra e branca não existe para os bruxos, pois se fundamentam nos conceitos de bem e mal, que não fazem parte de suas crenças, por isso, como costumam dizer, toda magia é cinza.
A Arte das Bruxas como era feita antes é chamada de Bruxaria Tradicional, ainda remanescendo até os dias atuais em grupos seletos, via de regra ocultos. Hoje também pode-se encontrar uma vasta quantidade de livros e sites que explicam a "Antiga Religião" mas geralmente se tratam de Wicca, pois os membros de grupos de Bruxaria Tradicional costumam preferir o ostracismo, revelando-se publicamente apenas em ocasiões especiais ou para que novos candidatos os localizem.

História

À afirmativa de existência de bruxas à forma retratada em registros da Idade Média, incluindo histórias infantis que permaneceram em evidência até os dias atuais, admite-se uma ressalva: elas parecem ter existido apenas no imaginário popular como uma velha louca por feitiços enigmáticos, surgidas na esteira de uma época dominada por medos, quando qualquer manifestação diversa ou mesmo a crença na inexistência de bruxas da forma retratada pelas autoridades clericais era implacavelmente perseguida pela Igreja. 1
A feitiçaria já era citada desde os primeiros séculos de nossa era. Autores como o filósofo grego Lúcio Apuleio (123-170) fazia alusão a uma criatura que se apresentava em forma de coruja (Hécate) que na verdade era uma forma descendente de certas mulheres que voavam de madrugada, ávidas de carne e sangue humanos.1
Para os intelectuais, estes acontecimentos não passavam do imaginário popular, sonhos, pesadelos e, assim, recusavam-se a admitir a existência de bruxas. Porém, entre muitos povos não era assim: os éditos dos francos salianos falavam da Estrige como se ela existisse de fato. Os penitenciais atestavam a crença nessas mulheres luxuriosas. No início do século XI, Burchard, o bispo de Worms, pedia aos padres que fizessem perguntas às penitentes no intuito de descobrir se eram seguidoras de Satã, (…) se tinham o poder de matar com armas invisíveis cristãos batizados (…) Se sim, quarenta dias de jejum e sete anos de penitências.1
Até ao século XIII a Igreja não condenava severamente esse tipo de crendice. Mas nos século XIV e XV, o conceito de práticas mágicas, heresias e bruxarias se confundiam no julgo popular graças à ignorância. Eram, em geral, mulheres as acusadas. Hereges, cátaros e templários foram violentamente condenados pela Inquisição, tomando a vez aos judeus e muçulmanos, que eram os principais alvos da primeira inquisição (século XIII). Curiosamente, foi exatamente a partir da primeira inquisição que a iconografia cristã passou a representar o "Arcanjo Decaído" não mais como um arcanjo, mas com a aparência de deuses pagãos, como Pã e Cernunnos. Tal fato levou, séculos após, à suposição de que bruxas eram adoradoras do demônio, o que não faz sentido, uma vez que a figura do demônio faz parte do dogma cristão, não pertencendo às crenças pagãs e nem existindo personagem de caráter equivalente ao diabo em qualquer panteão pagão. O uso alternativo do nome Lúcifer para designar o mal encarnado, na visão cristã, agravou a ignorância a respeito do culta das bruxas, uma vez que o nome Lúcifer, pela raiz latina, representa portador/fabricante da luz (Lux Ferre), inescapável semelhança ao mito grego de Prometeu, que roubou o fogo dos céus para trazê-lo aos homens.1

Perseguição às bruxas.
O movimento de repressão à bruxaria, iniciado na Idade Média, alcançou maior intensidade no século XV para, na segunda metade do século XVII, ter diminuída sua chama: o número de processos de feitiçaria no norte da França aumentou de 8, no século XV, para 13 na primeira metade do século XVI, e 23 na segunda metade, chegando a 16 na primeira metade do século XVII, diminuindo para 3 na segunda metade daquele século e para um único no seguinte. (Claude Gauvard - membro do Institut Universitaire de France).1
Em 1233 o Papa Gregório IX admitiu a existência do sabbat e esbat. O Papa João XXII, em 1326, autorizou a perseguição às bruxas sob o disfarce de heresia. O Concílio de Basileia (1431-1449) apelava à supressão de todos os males que pareciam arruinar a Igreja.1
Uma psicose se instalou. Comunidades do centro-oeste da França acusavam seus membros de feitiçarias. Na Aquitânia (1453) uma epidemia provocou muitas mortes que foram imputadas às mulheres da região, de preferência as muito magras e feias. Presas, submetidas a interrogatórios e torturadas, algumas acabavam por confessar seus crimes contra as crianças, e condenadas à fogueira pelo conselheiro municipal. As que não confessavam eram, muitas vezes, linchadas e queimadas pela multidão, irritada com a falta de condenação.1
Os tratados demonológicos e os processos de feitiçaria se multiplicaram, por volta de 1430, marcando uma nova fase da história pré-iluminista, de trágicas dimensões. Em 1484 o Papa Inocêncio VIII promulgou a bula Summis desiderantes affectibus, confirmando a existência da bruxaria. Em 1484 a publicação do Malleus maleficarum ("Martelo das Bruxas") orientou a caça às bruxas com ainda maior violência que obras anteriores, associando heresia e magia à feitiçaria.1
A Inquisição, instituída para combater a heresia, agravou a turba de seguidores inspirados por Satã. Havia, ainda, um componente sexista. Os bruxos existiam, mas eram as mulheres, sobretudo, que iam queimadas nas fogueiras medievais.1

Voo

As bruxas da Idade Média produziam unguento a partir de plantas com propriedades alucinógenas, a "pomada das bruxas".2 Untando as mucosas vaginal e anal com o auxílio de um cabo de vassoura, o unguento era absorvido mais rapidamente.2 Os delírios causados pela pomada das bruxas incluíam a sensação de levitação, explicando os supostos voos.2

Etimologia

O vocábulo "Bruxa" é de origem desconhecida, provavelmente de origem pré-Romana. No entanto, existe uma provável relação com os vocábulos proto-celtas: *brixtā (feitiço), *brixto- (fórmula mágica), *brixtu- (magia); ou o Gaulês: brixtom, brixtia do qual deriva o nome da deusa Gaulesa Bricta ou Brixta

Lendas Famosas

Houve um encontro de quatro senhoras na noite de hallow evening na Irlanda em 1880. Segundo o livro "Invectives Against the Sect of Waldensians Vol.2 " , após alguns rituais de sacrifício de animais, elas causaram um incêndio na casa. O incêndio dizimou tudo, nenhum corpo foi encontrado. O único vestígio do acidente foi a chave da casa encontrada nos destroços, dias após o incêndio, e uma foto deteriorada das quatro senhoras. Na época a população local disse que as senhoras eram bruxas e os rituais praticados eram rituais satânicos de invocação do demônio.

Manuais, obras, tratados

Em 1602 Anton Praetorius, um teólogo alemão calvinista, publicou o livro "Gründlicher Bericht von Zauberey und Zauberern" ("Relatório profundo da magia, mágicos e feiticeiros") contra a quimera da bruxaria e tortura.

Quem eram as bruxas?

por Roberto Navarro | Edição 61
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Eram pessoas acusadas de fazer feitiços e usar poderes sobrenaturais, supostamente obtidos em rituais satânicos e pactos com demônios. Ao contrário do que muita gente imagina, a maior parte dos casos de perseguições contra bruxas, queimadas em fogueiras coletivas, não aconteceu na Idade Média, mas no início do período moderno, do final do século 14 ao começo do século 18. Existe muito exagero sobre o assunto, que só começou a ser pesquisado na década de 1970. "Idéias falsas sobre as bruxas persistem até hoje. Jamais existiu qualquer culto de bruxas, envolvendo deusas, demônios ou deuses ancestrais, e as pessoas suspeitas de serem bruxas nunca tiveram conexão com religiões pagãs antigas", afirma o historiador Jeffrey Burton Russell, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Muitas dessas histórias foram alimentadas por escritores românticos do século 19, que criaram mitologias sobre essas figuras - a mulher que entra pelo telhado para chupar o sangue de crianças, bebe e gargalha voando de vassoura... Mas, então, quem eram as pessoas que iam parar na fogueira? Geralmente, eram os chamados hereges, gente que não seguia o catolicismo pregado pela Igreja. Em povoados mais supersticiosos, a coisa era mais complicada: na França do século 15, há registros de epidemias que geraram uma espécie de histeria coletiva - o povo culpava as bruxas pelas doenças. Aí, bastava a mulher ser esquisitona para ser considerada bruxa, perseguida e levada à fogueira. Um caso de preconceito explícito - e numeroso. Calcula-se que entre 40 mil e 50 mil pessoas foram executadas acusadas de bruxaria.
Dança da vassoura Perseguição aos acusados de bruxaria durou mais de 300 anos 1428
Na cidade de Valais, na Suíça, acontece o primeiro julgamento coletivo de pessoas acusadas como bruxas. Não se conhecem detalhes dos processos ou da quantidade de acusados e condenados, pois os registros foram na maior parte destruídos
1692
Na cidade de Salem, nos EUA, 150 pessoas são presas sob acusação de bruxaria, depois que algumas meninas alegaram ter sido enfeitiçadas. Um tribunal especial é estabelecido para julgar o caso. Dezenove pessoas são condenadas à morte e enforcadas
1793
Embora a data e o local sejam bastante controversos, a última execução por ordem judicial de suspeitas de serem bruxas na Europa parece ter acontecido na Polônia - duas mulheres foram queimadas na fogueira
1586
Publicação do livro O Martelo das Bruxas, escrito por dois frades dominicanos. Por possuir valor legal e religioso (o livro era aceito por católicos e protestantes), a obra serviu nos dois séculos seguintes como manual para identificar e eliminar bruxas.abril.com.br

A bruxa Gwrach-y-rhibyn

O significado do nome Gwrach-y-rhibyn, literalmente é "Bruxa da Bruma" mas o termo mais comun é "Bruxa da Baba". Dizem que se parece com uma velha horrorosa, toda desgrenhada, de nariz arrebitado, olhos penetrantes e dentes semelhantes a presas.
De braços compridos e dedos com longas garras, tem na corcunda duas asas negras escamosas, coriáceas como a de um morcego. Por mais diferente que ela seja da adorável banshee irlandesa, a Bruxa da Baba do País de Gales lamenta e chora quando cumpre funções semelhantes, prevendo a morte.
Acredita-se que a medonha aparição sirva de emissária principalmente às antigas famílias galesas.
Alguns habitantes de Gales até dizem ter visto a cara dessa górgona; outros conhecem a velha agourenta apenas por marcas de garras nas janelas ou por um bater de asas, grandes demais para pertencer a um pássaro. Uma antiga família que teria sido assombrada pela Gwrach-y-rhibyn foi a dos Stardling, do sul de Gales.
 Por setecentos anos, até meados do século XVIII, os Stardling ocuparam o Castelo de São Donato, no litoral de Glamorgan.
A família acabou por perder a propriedade, mas parece que a Bruxa da Baba continuou associando São Donato aos Stardling. Uma noite, um hóspede do Castelo acordou com o som de uma mulher lamuriando-se e gemendo por baixo da sua janela.
Olhou para fora, mas a escuridão envolvia tudo. Em seguida ouviu o bater de asas imensas.
Os misteriosos sons assustaram tanto o visitante que este voltou para cama, não sem antes acender uma lâmpada que ficaria acesa até o amanhecer.
Na manhã seguinte, indagando se mais alguém havia ouvido tais barulhos, a sua anfitriã confirmou os sons e disse que seriam de uma Gwrach-y-rhibyn que os estava avisando de uma morte na família Stardling.
Mesmo sem haver um membro da família morando mais no casarão, a velha bruxa continuava a visitar a casa que um dia pertencera aos Stardling.
Naquele mesmo dia, ficou sabendo-se que o último descendente direto da família estava morto. Curioso, não vos parece...?mitoseverdade.com

Bruxas




A palavra bruxa, em sânscrito, significa mulher sábia - e assim elas eram vistas até serem inferiorizadas e marginalizadas pela Igreja Católica. Desde então, bastava que uma mulher casada perdesse a hora de acordar para que o marido pudesse acusá-la de estar sonhando com o demônio.

O estereótipo de uma bruxa - velha, de nariz comprido e com verrugas, cabelos desgrenhados, gargalhadas estridentes e chapéu pontudo - surgiu durante a Idade Média e permaneceu praticamente inalterado até os dias de hoje.
Por definição, uma bruxa é um indivíduo com poderes sobrenaturais de origem variada capaz de ferir ou curar com ervas mágicas e controlar o tempo, além de lançar feitiços, transformar objetos do cotidiano em animais e voar em vassouras - atividades que tem sido historicamente associadas à bruxaria há centenas de anos.

• As bruxas antes da Idade Média

Circe, a belíssima feiticeira da mitologia grega, transformava homens em animais, fazia florestas se moverem e  o dia virar noite. Homero (naOdisseia), Hesíodo, Ovídio e Plutarco relataram suas proezas. Em Harry Potter, sua biografia aparece em uma das figurinhas dos Sapos de Chocolate.

Em toda civilização - desde a Assíria, Babilônia e Egito até as aldeias da Europa medieval e tribos contemporâneas da África central e meridional - havia algum tipo de bruxa. Ilustrações em paredes de cavernas do período neolítico mostram celebrações de rituais simbólicos à fertilidade. Na Grã-Bretanha, as sacerdotisas druidas eram divididas em três classes: as que viviam em regime celibatário, de ordem mais elevada, e as que podiam constituir família e viver tanto nos templos quanto com seus maridos.

A antiga literatura greco-romana é rica em histórias de bruxas que preparavam poções mágicas com ervas e pedaços repugnantes de animais. Com os cabelos longos e desgrenhados, andavam descalças e, de acordo com a crença popular, eram vistas em cemitérios desenterrando ossos à meia-noite, colhendo plantas venenosas ou então adorando Diana (Ártemis para os gregos, deusa da lua e da caça) e Hécate (Trívia para os romanos, deusa da fertilidade e rainha da noite); dizia-se que algumas eram capazes de conjurar espíritos e matar com um simples olhar. As bruxas de Tessália (região norte da Grécia) eram tão poderosas que podiam aproximar a Lua da Terra. Apuleio, poeta romano do século II, descreveu-as como "capazes de fazer o céu cair, as nascentes secarem e destruir montanhas".

• As bruxas depois da Idade Média

As três bruxas de Macbeth, de William Shakespeare

Durante o pânico da caça às bruxas, entre os séculos XVI e XVII, as curandeiras das aldeias - que tinham conhecimento sobre ervas medicinais, faziam amuletos contra espíritos malignos e usavam poderes de adivinhação para encontrar objetos perdidos e identificar criminosos - foram as primeiras e principais acusadas.
Havia quem ainda acreditasse que essas mulheres podiam realizar feitos benéficos, como invocar a chuva e tornar os ventos favoráveis à navegação. Mas se antes elas eram respeitadas e temidas, agora respondiam por mortes súbitas de bebês e más colheitas.

The Witches' Sabbath, de Francisco Goya

De acordo com a crença, participavam de rituais macabros de assassinato, vampirismo e canibalismo e se reuniam regularmente em sabbaths (ou sabás, encontros noturnos em florestas ou campos isolados com danças e banquetes em culto a Satanás). sendo que chegavam até eles voando em vassouras ou no lombo de algum demônio tido como familiar.

Um familiar era um demônio sob a forma de um pequeno animal. Cada bruxa tinha ao menos um familiar que lhe dava conselhos e estava sempre à disposição para executar algum serviço maligno. Geralmente eram gatos, cachorros, sapos, coelhos ou corvos, mas também podiam ser porcos-espinho, fuinhas, furões, toupeiras, camundongos, abelhas ou gafanhotos. Tendo-os recebido diretamente do Diabo, eram gentis com eles e batizavam-nos com nomes engraçados; um trabalho bem feito era recompensado com algumas gotas de sangue da dona. Quando a bruxa era levada a julgamento, o familiar quase sempre escapava e poucos foram executados.

Segundo o Malleus Maleficarum, voar era um dom incontestável. O livro dizia que elas saíam pela chaminé de suas casas, mas que podiam ser lançadas ao chão ou impedidas de decolar pelo som dos sinos de uma igreja. No início do século XVII, a população de uma pequena cidade da Alemanha estava tão apavorada que, por algum tempo, o conselho municipal determinou que todas as igrejas batesse seus sinos sem parar, do anoitecer até o raiar do dia.
Enquanto alguns sábios e autoridades debatiam a ideia relembrando o Evangelho Segundo de São Mateus, que conta como Satã transportou Jesus pelos ares (logo, era perfeitamente possível que conferisse este dom às suas servas), outros mais sensatos rejeitavam que algo fisicamente mais pesado do que o ar pudesse voar e atribuíam a delírios da cabeça das mulheres as confissões de magníficos vôos noturnos.


Ao final da Idade Média, quando a bruxaria havia se tornado um problema sério na Europa, uma mulher poderosa e capaz de fazer magia era vista com desconfiança, mesmo que fosse apenas uma personagem de ficção. Morgana le Fay, por exemplo, é ora uma bruxa, ora uma fada (por isso le Fay) das literaturas francesa, italiana e inglesa do século XVIII, onde seria irmã ou meia-irmã do rei Arthur e aprendiz de Merlin. Após a Inquisição, novas versões da lenda arturiana passaram a retratá-la de maneira negativa. Em Le Morte d'Arthur, de Thomas Malory, Morgana tenta destruir o irmão e toda a sua corte.

Também quando a caça às bruxas começava a perder força - quando o estereótipo já estava bem definido e havia vasta literatura sobre o assunto -, os colonizadores ingleses levaram o pânico para a América do Norte, onde, em 1692, ocorreu o processo contra as Bruxas de Salém (Massachusetts). Foram cerca de 300 acusados de práticas infames e 19 enforcados.

• Por que as bruxas eram mulheres?


Para cada homem acusado durante o período mais intenso da caça às bruxas, três mulheres eram condenadas. Do ponto de vista da época, a história bíblica de Adão e Eva mostra claramente que as mulheres eram responsáveis por todos os pecados existentes no mundo - e, portanto, física, intelectual e moralmente mais fracas, vingativas, propensas à mentira e suscetíveis à tentação do Diabo.
A diferença entre uma parteira e uma bruxa, por exemplo, já era pequena: quando um recém-nascido morria, os pais podiam acusá-la de bruxaria. Idosas solteiras ou viúvas eram as mais acusadas, embora também houvesse jovens atraentes e abastadas condenadas à fogueira. Em uma sociedade controlada por homens, mulheres que não estivessem sob o jugo de um pai ou marido eram, no mínimo, suspeitas. O julgamento podia constituir uma maneira conveniente de expurgar esses membros desagradáveis da comunidade.ocorvoblog.com

As Bruxas - Documentário Completo (Dublado)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Verdadeiro significado do dia das bruxas 31/10





O Dia das Bruxas (Halloween é o nome original na língua inglesa) é um evento tradicional e cultural, que ocorre nos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos celtas. 

A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às atuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. 

Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. 
Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão" na língua celta). 

A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando: 


Origem Pagã 

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. 
A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. 

Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: 
tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). 

Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam início ao ano novo celta. A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam “o céu e a terra” (conceitos que só chegaram com o cristianismo). 
Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. 
A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como “médiuns” entre as pessoas e os seus antepassados. 
Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo. 


Origem Cristã 

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (panteão) num templo cristão e o dedicou a “Todos os Santos”, a todos os que nos precederam na fé. 

A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III(† 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. 
Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. 
Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). 

Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een” até chegar à palavra atual “Halloween”.



Vamos aproveitar esse dia mágico, para buscar as bênçãos e sabedoria da Deusa e de todos os Deuses e Seres de Luz, dos Mestres Ascensionados e vibrar numa energia de amor e luz!templodeluxor..com